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Radiologia

A importância do controle de qualidade em radiologia diagnóstica

9 min de leitura

Você já se perguntou o que acontece nos bastidores para garantir que os exames de raios X e outras imagens médicas sejam precisos e seguros? A resposta está no Controle de Qualidade (CQ), uma prática essencial em todos os departamentos de radiologia diagnóstica.

A medicina moderna seria inimaginável sem os raios X, amplamente utilizados no diagnóstico e tratamento de pacientes. No entanto, a tecnologia de imagens médicas evoluiu exponencialmente, passando do analógico para o digital, de tomografias de corte único para multidetectores, e da fluoroscopia para sistemas complexos de angiografia. Com essa evolução, surge uma responsabilidade ainda maior de garantir o desempenho ideal e a segurança dos equipamentos.

Por que o controle de qualidade é indispensável?

O objetivo principal do CQ é garantir o uso seguro e eficaz de equipamentos emissores de radiação ionizante. Isso se traduz em vários benefícios cruciais:

  • Qualidade diagnóstica superior: testes de CQ fornecem “instantâneos” do desempenho, ajudando a garantir que o equipamento de raios X opere de forma otimizada para fornecer informações diagnósticas da qualidade exigida.
  • Menor exposição do paciente: um equipamento bem ajustado e monitorado minimiza a dose de radiação necessária para obter uma imagem diagnóstica de qualidade.
  • Gestão responsável de investimentos: o CQ ajuda as instituições médicas a gerenciar de forma responsável seus investimentos em equipamentos de raios X, que podem representar uma grande parte de seus orçamentos.
  • Prevenção de erros: um erro simples ou o mau funcionamento de um sistema de raios X pode afetar a saúde dos pacientes.

O CQ é a base para prevenir tais ocorrências.

Em muitos países, uma parcela significativa dos sistemas de raios X não faz parte de um programa regular de garantia de qualidade (GQ) devido à falta de profissionais treinados e de orientação relevante. Para lidar com isso, a Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) tem promovido a construção de competência em GQ e CQ em diagnóstico por raios X.

CQ: parte de um programa abrangente de garantia da qualidade

É importante entender que o CQ representa o nível mais básico de gestão da qualidade. Ele é apenas um elemento de um programa abrangente de Garantia da Qualidade (GQ), que visa assegurar que os requisitos de qualidade para um produto ou serviço sejam consistentemente cumpridos em todos os aspectos. Um sistema de GQ completo começa antes mesmo da aquisição de qualquer equipamento, com a avaliação das necessidades e o desenvolvimento de especificações.

A IAEA promove essa abordagem abrangente à qualidade em imagens diagnósticas, apoiando o desenvolvimento de orientações e o treinamento apropriado do pessoal na manutenção dos padrões de qualidade.

Quem realiza os testes de CQ?

Os testes de CQ são categorizados de acordo com o pessoal qualificado responsável por realizá-los:

  • Tecnólogos em radiação médica qualificados (radiologistas)
  • Físicos médicos

A Garantia da Qualidade é um esforço de equipe, e a implementação de um programa de GQ eficaz em um departamento de radiologia é fortemente recomendada para ser conduzida por uma equipe de profissionais experientes, incluindo um radiologista e um físico médico.

Testes essenciais de controle de qualidade em radiologia diagnóstica

O “Handbook of Basic Quality Control Tests for Diagnostic Radiology”, da IAEA, detalha uma série de testes cruciais para diversas modalidades de imagem. Aqui estão alguns exemplos importantes:

Testes comuns a todos os sistemas (radiologistas)

  • Verificação rotineira do display de imagem: garante que os monitores reproduzam com precisão todas as informações em escala de cinza. As etapas da escala de cinza devem ser visíveis e distinguíveis, e os patches de contraste de 5% e 95% devem estar visíveis. Repetir mensalmente.
  • Avaliação da taxa de rejeição: analisa as imagens rejeitadas para identificar as causas comuns de repetições de exposição, como erros de posicionamento ou de exposição, reduzindo a exposição desnecessária do paciente. Uma taxa de rejeição de 4% a 8% é relatada em departamentos que usam modalidades digitais, com 3% a 5% sendo alcançável em departamentos pediátricos. Avaliar mensalmente ou a cada três meses.
  • Inspeção visual do local de trabalho: verificação de rotina do funcionamento mecânico e elétrico do sistema, além da correção das informações de aquisição de imagem — limpeza, integridade de componentes (mesas, pás de compressão) e funcionamento de indicadores e controles. Repetir mensalmente ou após qualquer serviço ou atualização de software.

Testes comuns a todos os sistemas (físicos médicos)

  • Sistemas de display de imagem: testam a qualidade do display e as condições de visualização — reprodução sem distorções, luminância e contraste adequados e resolução dentro das tolerâncias. A luminância máxima para displays primários deve ser ≥ 350 cd/m², para secundários ≥ 250 cd/m² e para mamografia ≥ 420 cd/m². A iluminação do ambiente deve ficar entre 15 e 50 lux. Teste anual.

Testes específicos por modalidade

  • Radiografia: alinhamento do feixe de raios X e da luz, precisão de distâncias e escalas, uniformidade da imagem, detecção de artefatos e constância/sensibilidade do Controle Automático de Exposição (AEC).
  • Fluoroscopia e angiografia: reprodutibilidade do Controle Automático da Taxa de Exposição (AERC), verificação da colimação e geometria do feixe, taxas de kerma no ar na superfície de entrada do paciente e do receptor de imagem, e avaliação da qualidade da imagem.
  • Mamografia: força de compressão e precisão do indicador de espessura, alinhamento do detector e do campo de raios X, produção do tubo, Camada Semirredutora (HVL), reprodutibilidade e compensação de espessura do AEC, artefatos de “ghosting” e Dose Glandular Média (MGD).
  • Tomografia computadorizada (TC): alinhamento do laser, precisão da radiografia de projeção de varredura (SPR), precisão do número CT, ruído e uniformidade da imagem, detecção de artefatos, precisão de dimensões medidas, linearidade, detectabilidade de detalhes de baixo contraste, largura do feixe de raios X, largura de corte da imagem reconstruída e dosimetria da TC.
  • Sistemas filme-tela: mesmo com a migração para o digital, o manual ainda inclui testes como temperatura do processador de filme, base e véu, sensibilidade e contraste, medição de pH da solução fixadora, manutenção de cassetes e telas, vedação de cassetes, iluminação de sala escura e caixas de visualização de filme.

A era digital e a gestão de doses

A transição para a radiologia digital trouxe a capacidade de acomodar uma ampla gama de exposição, fornecendo uma imagem visualmente aceitável mesmo em casos de sub ou superexposição. O indicador de exposição é vital para monitorar a dose absorvida pelo detector.

Recentemente, o Software de Gerenciamento de Dose (DMS) tem sido introduzido na radiologia diagnóstica. Ele é uma ferramenta essencial para melhorar os programas de GQ e garantir a conformidade regulatória. O DMS coleta, monitora e avalia dados demográficos de pacientes e informações técnicas, incluindo dados de dose de várias modalidades de imagem, aprimorando o cuidado ao paciente e auxiliando na melhoria contínua da qualidade. No entanto, seu uso confiável requer um programa de GQ abrangente e verificação regular dos dados por um físico médico.

A importância da documentação

Um programa de GQ só é significativo se os resultados forem registrados. A documentação clara e lógica das atividades de CQ serve como referência para acompanhar mudanças e problemas, ajuda os engenheiros de serviço a identificar falhas e fornece evidências para fins regulatórios.

Informações essenciais a serem registradas incluem:

  • Informações gerais (identificação do teste, data, local, pessoal envolvido, equipamento).
  • Detalhes sobre instrumentos e objetos de teste (fabricante, tipo, número de série, calibração, incerteza de medição).
  • Condições ambientais.
  • Informações técnicas do equipamento.
  • Testes realizados (parâmetros de exposição, resultados, avaliação).
  • Conclusões e ações corretivas, com prazos e responsáveis.

Conclusão

O Controle de Qualidade em radiologia diagnóstica é mais do que uma série de testes; é um compromisso contínuo com a segurança do paciente, a precisão diagnóstica e a otimização dos recursos. Ao seguir as diretrizes e realizar testes de forma consistente, os departamentos de radiologia podem garantir que continuam a fornecer o mais alto nível de cuidado em um campo em constante evolução.

Fonte: IAEA — Handbook of Basic Quality Control Tests for Diagnostic Radiology.

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